domingo, 11 de janeiro de 2015

Lullaby

Deitado no meio da tempestade, o gato sonha Lullaby,
Que milhares de pombos invadiram o planeta.
Que a barriga do velho se transformou no seu braço.
Que a Carmela Dutra era a rainha das putas
E andava sempre com a mão levantada, no seu passo saltitante.
Ali tudo caía.
Era gorda, bem gorda, os peitos esparramados pelas coxas.
No seu sexo escondia mamões.
Era o xodó do Méier e os rapazes ali, metiam suas rolas.
Pequeninas, bicavam de leve a fruta escondida, antes de voar.
Arrancavam pequenos bifes que ela trocava por cigarros.
Ali o calor era de rachar sempre.
Rachava tudo, paredes, àrvores, calçadas, calçados, testas, braços e bolas de gude.
Ali o Itamaraty ficava no 384.
Ali homens de olhar fundo triste e queixo lacrimejante.
Ali guardas de Nova York protegiam o Sr. Cabral de si mesmo.
Ali hare krishnas combinavam com seus fuscas laranjas.
Ali loucos eram livres nas praças, livres nas ruas.
Ali a Princesa Bebel chorava desesperada enquanto pedalava em direção ao Leme.
Ali a mulher barbada era roxa, tudo seu era roxo
E ela gostava de tomar porrada pra combinar com o resto.
Ali o mundo acabava assim.

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