domingo, 11 de janeiro de 2015

Poemas de amor são sempre uma merda

Te amo como dois e dois são mil
Como céu na terra e a lua no chão
Os malucos na moto na contramão
Um homem que tropeça na calçada
Uma filha de Coronel sem carteira
O verde que combina com o branco
Que combina com o amarelo
Que combina com o vermelho
A ferida coçada ali no calcanhar
A casquinha arrancada ali no calcanhar
Te amo como eu deitada na rede
Como uma mensagem enviada e armazenada
Como a angustia que invade meu peito enquanto fomento os piores cenários
Como a queimadura no peito
Quando respiro
Quando o cinza do céu com o laranja do menino
Quando o espanto da caneta sobre o papel
Te amo como um baseado no morro do Dendê
uma velha caída no canal do Leblon
um chute na barriga só que por dentro
um soco na boca só que por fora
Como um racha
Ali na rua das Acácias
Te amo de o que é o que é
Que é ruim da cabeça e doente do pé
É?

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