domingo, 11 de janeiro de 2015

A Mulher de Vermelho

E a mulher que olhava torto,
zangadamuitozangada.
Enquanto isso, uma criança leva outra pela mão.
Eu fumo eternamente.
Minhas histórias são um eterno cigarro,
um eterno atravessar de ruas,
um eterno atravessar
de vidas.
Ela
usava óculos e tinha Evelyn, tatuada no coração.
E assim vamos andando pelo caminho da humanidade,
e eu me pergunto,
por onde andará Vera Fischer?
Sacolas na mão andam pelo chão.
A velha, ah, a velha sábia sabia.
Na praça, o ócio reinava, barrigas cresciam e Rafael Carino continuava lutando por você.
Pés descalços comiam quentinha, e os meus escorregavam na farofa.
O grão de bico continuava firme e a ruiva das sardinhas não era portuguesa.
E na rua era verão, minhas axilas transpiravam e eu não fui à depilação.
Colisão entre amigos deixou 36 feridos em Hong Kong,
mas Samir continuava passeando pelo Mekong.
Um camelo no céu, e o meu corpo ao léu.
A mulher de vermelho era enooorme.
No seu corpo cabiam todas as mulheres do mundo, um piano e uma enceradeira.
Logo em seguida cruzou com a irmã dela,
estava vestida de bordeaux,
porque vinho de Bordéus.
Eu padecia e o Cristo incandescia.
Mas só pela metade.

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